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    Todos os benefícios da kombucha – o que é, sua origem, pra que serve

    Nesse super e completíssimo post vamos mostrar todos os benefícios da(o) kombucha, o que é, sua origem e como fazer.

    Apesar da enorme quantidade de informações vagas e/ou contraditórias que encontramos na internet sobre essa maravilhosa bebida,  a boa surpresa é que a produção é bem mais simples do que parece. E para entender melhor tudo que envolve a arte de fazer esse santo remédio e ainda facilitar sua vida, o Cebola traz nesse post tudo que você precisa saber para entrar nesse mundo saudável borbulhante, com explicações detalhadas, conceitos e fotos do processo.

    Desde que entramos em contato com a kombucha e começamos a produzir em casa, não conseguimos mais viver sem esse exilir dos deuses!

    Mas afinal, o que é kombucha?

    Kombucha é o nome dado para uma bebida probiótica milenar levemente ácida e geralmente gaseificada. Ela tem como base a fermentação de chá adoçado junto a uma cultura de leveduras e bactérias extremamente benéficas à saúde. A pronúncia se dá como “kombutcha”, “kombuchá” ou simplesmente kombucha. Essa bebida também é conhecida como kombuchia, chá do cogumelo, fungo do milagre, fungo mágico, elixir de vida, fungo russo, cogumelo russo, esponja japonesa, o Tsche divino, e diversos outros nomes.

    Quem vem?

    Primeiro, um cado da história e origem da kombucha, essa bebida milenar

    Segundo a Wikipédia, o primeiro relato de produção e consumo de kombucha vem da China, em 221 a.C., durante a Dinastia Tsing. A (ou o) Kombucha vem sendo cultivado por milhares de anos por várias culturas, tendo inclusive menções na Bíblia (Rute 2:14) onde o proprietário de terras Booz convidou Rute durante sua coleta de grãos e disse:”Vem cá e come um pouco de pão e mergulha teu bocado na bebida de vinagre! E ela se sentou ao lado dos ceifadores; e êle lhe alcançou cereal torrado e ela comeu e se saciou e ainda sobrou.”

    Este relato bíblico de cerca do ano 1000 a.C. dá uma indicação dos hábitos nutricionais exemplares dos antigos, pois as pessoas preparavam com microrganismos bebidas com ácido láctico que eram servidos para dar energia e refresco durante os árduos trabalhos da colheita.

    Durante as décadas de 1960 e 1970 a bebida tomou proporções globais, quando as pessoas adeptas às praticas nutricionais naturais difundiram o uso do chá fermentado.

    O nome kombucha vem de uma crença ocidental de que a colônia (ou biofilme) era na verdade uma alga marinha chamada kombu, e pelo fato de na Índia os chás da planta Camellia sinensis serem chamados de cha ou chai. Mais tarde, descobriram depois que a colônia não era a tal alga, mas o nome já havia se popularizado.

    Fonte: wikipédia

    Benefícios da kombucha para seu corpitcho

    Pois vamos agora mostrar porque essa bebida delícia merece bastante atenção, já que em muitas culturas acredita-se ser um REMÉDIO NATURAL para vários males, pois promove a saúde e força física. Anotem aí os benefícios:

    – Auxilia a regeneração e reposição da flora intestinal, garantindo melhora do sistema digestivo

    – Ajuda a emagrecer, pois contém ácido acético, que bloqueia as enzimas que absorvem o açúcar. Além disso, estimula a digestão dos carboidratos e em consequência melhora o perfil glicídico

    – Tem ação antioxidante e desintoxicante associadas, auxiliando na eliminação de toxinas e impurezas do organismo

    – Como nossos ancestrais já sabiam, é um elixir energizante, pois durante a fermentação há formação de ferro que, somado à cafeína do chá, dá aquela energia extra

    – Fortalece a imunidade, protegendo as células e evitando doenças

    – Rejuvenesce, pois tem uma substância que auxilia na prevenção da perda do colágeno e, por consequência, de lesões articulares e do aparecimento de rugas

    Resumindo, tudo isso se dá porque quando a colônia é colocada num recipiente contendo uma mistura do chá com o açúcar, transforma o líquido em uma bebida DOCE e AZEDA com uma fragrância FRUGAL muito saborosa que pode fornecer diversos ácidos e nutrientes, excelentes para a saúde. A cultura de Kombucha se alimenta do açúcar e produz tais substâncias, encontradas na bebida final: o ácido glucurônico, ácido acético, ácido glucônico, ácido láctico, vitaminas, aminoácidos, e algumas substâncias antibióticas. Dentre outras substâncias, o álcool de 0.5% a 1% também é produzido, mas não chega a caracterizar a bebida como alcoólica. Caso a fermentação da bebida seja completa, ou seja, você espere de 20 a 30 dias, surgirá o VINAGRE, que é rico em ácido acético, advindo da degradação do álcool pelas bactérias acéticas, e esse vinagre pode ser consumido, por exemplo, em jejum logo pela manhã (misture 1 cl. de sopa num copo d´água e beba), ou nas saladas, trazendo benefícios como redução de problemas estomacais.

    Conceitos para facilitar nossa vida

    Agora que já mostramos os benefícios da kombucha, vamos apresentar os conceitos que você precisa saber para seguir nessa viagem. Já já explicaremos direitinho como fazer sua kombucha.  😉

    PANQUECA ou SCOBY: ao contrário do que muitos pensam, kombucha não é um cogumelo, um fungo ou alga, e sim uma ZOOGLEIA, um biofilme resultado de uma SIMBIOSE complexa entre espécimes de BACTÉRIAS e LEVEDURAS.  Como essa colônia de microorganismos aglomerados em uma massa de celulose tem aparência e consistência parecida com uma panqueca, as pessoas costumam chamá-la assim.

    A mais escura, embaixo, é a “panqueca-mãe”, já acompanhada de sua nova cria,
    que surgiu no processo de primeira fermentação

    PRIMEIRA FERMENTAÇÃO: processo que permite o consumo da bebida após cerca de sete a dez dias depois que ela vai para a jarra de vidro. Nesse ponto, ela terá um gosto levemente avinagrado, mas que já agrada a muita gente que prefere nem passar para a próxima etapa. Mas lembre-se que nesse caso ela não estará saborizada e nem terá gás. Para transformar a kombucha de primeira fermentação num refri natural é preciso passar pelo processo da segunda fermentação

    SEGUNDA FERMENTAÇÃO: para a kombucha de primeira fermentação virar o já famoso “refrigerante natural”, é preciso saborizar e engarrafar em vidro ou plástico hermeticamente fechado, pois ela não pode entrar em contato com o ar.  A fermentação surgirá justamente da adição de chá ou suco adoçados à kombucha de primeira fermentação, e tudo isso se dá com as bactérias consumindo o açúcar e o transformando em gás natural, dando aquele sabor extra na bebida. Nós do Cebola já experimentamos com suco de uvas masceradas, chá de hibisco, suco de uva integral, suco de popa de maracujá, suco de limão, gengibre. Use o que tiver na geladeira, não tem segredo!

    ÁGUA DESCLORADA: como o cloro é bastante volátil, apresentamos duas maneiras simples e práticas para desclorar suficientemente a água que utilizaremos: ferva por 15 a 20 minutos o conteúdo e depois deixe-a esfriar até chegar na temperatura ambiente, ou; bata a água no liquidificador por 2 minutos, pois esse processo agita as moléculas do líquido e faz com que o cloro evapore mais rapidamente.

    TEMPERATURA AMBIENTE: em termos laboratoriais, essa é a temperatura situada em 20 graus Celsius. É muuuuuito importante respeitar essa temperatura para não matar a panqueca, que, como explicamos, é feita de bactérias e leveduras que acabam morrendo em temperaturas altas!

    STARTER: a cada produção é importante reservar 250ml da kombucha de primeira fermentação. Esse líquido é chamado “starter”, que significa “arranque”, ou seja, ele vai servir para ativar a nova leva de kombucha.

    Ingredientes e utensílios para a kombucha de primeira fermentação

    Aqui vai uma dica (que obviamente se estende também para a próxima etapa, de saborização): sempre que possível dê preferência aos ingredientes orgânicos, pois as bactérias e leveduras que compõem a colônia são sensíveis e por isso se adaptarão melhor aos ingredientes que não possuem aditivos químicos!

    1 jarra de vidro com capacidade para 3l

    1 folha de papel toalha

    1 gominha, que servirá para prender o papel toalha

    2 cl. de sopa de chá preto

    2 cl. de sopa de chá verde

    250 ml de água desclorada para fazer o chá

    1 copo e meio (300g) de açúcar refinado ou cristal. NÃO USE MEL, POIS POR CONTA DO SEU PODER ANTIBACTERICIDA, VAI MATAR A COLÔNIA! (ficou com vontade de fazer alguma coisa com mel? Então clique aqui e dê uma olhadinha na nossa maravilhosa receita de Mel de Ouro!)

    1 panqueca (biofilme, scoby, colônia-mãe)*

    250ml do líquido que acompanha a panqueca (o “starter“*)

    1 cl. de sopa de vinagre (usamos vinagre de maçã)

    2,75l de água desclorada em temperatura ambiente para adicionar à jarra depois do chá estar pronto

    *Existem grupos no Facebook que realizam doação de panquecas, caso você não tenha uma ainda. Então, quando conseguir alguém que forneça uma, peça também um bocadinho do “starter”.  #CHAMAQUEVEM    =)

    Como fazer a kombucha de primeira fermentação

    Ferva 250ml de água e, em seguida, acrescente o açúcar. Mexa bem para dissolver.

    Junte as folhas de chá e ferva por mais 02 minutos.

    Desligue o fogo, tampe a panela e deixe em infusão por 15 minutos.

    Coe com a ajuda de uma peneira ou um pano fino (voal ou tule) e deixe esfriar até chegar na temperatura ambiente.

    Folhas do chá preto utilizado nessa etapa

    Coloque o chá já frio no jarro ou vidro de 3l bem limpo e seco (utilizamos álcool 70 para sanitizar o vidro). Adicione 2,5l da água desclorada em temperatura ambiente, a panqueca de kombucha, o vinagre e 250ml do “starter”.

    Tampe o vidro com o papel toalha e prenda o elástico na borda para evitar que moscas entrem. Vale notar que o papel toalha permite que o líquido respire, muito importante para todo o processo.

    Eis a kombucha prontinha para descansar no fundo do armário

    Como cuidar da kombucha

    Vale agasalhar o vidro com um pano de prato ou folha de jornal para manter as bichinhas aquecidas, pois elas não gostam do frio. Você deve manter esta infusão por 10 dias dentro de um armário, pois elas também não gostam de luz.

    Após esse prazo, retire a panqueca com as mãos bem higienizadas e reserve 250ml do líquido para começar o processo todo de novo. Você vai reparar que uma nova panquequinha começará a crescer e que provavelmente se formarão “fios” de novas panququinhas que estão prestes a crescerem saudáveis e gelatinosas. Como a sensação de ingerir os “fios” da panqueca que se formaram dentro da jarra não é tão agradável, se preferir coe antes de beber.

    Uhu! O líquido está pronto para consumo!  =)

    Líquido já pronto, que em 10 dias serve para o consumo

    Vocês verão que as panquecas se multiplicam bastante, por isso lembrem de doar para quem também quer virar kombucheiro. Além disso,caso muitas panquecas fiquem na mesma jarra, maiores são as chances do refri ficar com gosto avinagrado!

    Como fazer a kombucha de segunda fermentação

    É aqui que o processo do refrigerante natural, saborizado e gaseificado começa! O bom é as opções de sabores são praticamente infinitas, já que podemos comprar ingredientes específicos ou mesmo aproveitar o que tiver à geladeira. O meio ambiente agradece quando a gente não desperdiça =)

    Use sua criatividade para fazer a própria receita. Experimente, permita-se errar, encontre os sabores que preferir,
    misture ingredientes, macere com as mãos a fruta que escolher, invente! Somos seres criativos!

    Abaixo seguem 3 receitinhas que nós do Cebola testamos e recomendamos!

    As quantidades serão geralmente na proporção de um pra um (1 x 1), ou seja, se você quiser 1L de kombucha de uva, deverá usar 500ml de suco de uva adoçado e 500ml da kombucha de primeira fermentação. Não tem erro!

    Kombucha de uva

    500ml do líquido pronto (kombucha de primeira fermentação)

    200g de uva itália masceradas (tire as sementes para não interferir no gosto)

    5cl. de açúcar cristal ou refinado

    Misture tudo e engarrafe, conforme orientação a seguir

    Kombucha de hibisco

    500ml do líquido pronto (kombucha de primeira fermentação)

    5cl. de açúcar cristal ou refinado

    Chá de hibisco em temperatura ambiente (faça o chá como de costume)

    Misture tudo e engarrafe, conforme orientação a seguir

    Kombucha de limão

    500ml do líquido pronto (kombucha de primeira fermentação)

    Suco de meio limão (usamos thaiti)

    5cl. de açúcar cristal ou refinado

    1 pedaço da casca do limão (corte pegando um pedacinho da fibra branca)

    Misture tudo e engarrafe, conforme orientação a seguir

    Limão é vida!

    Engarrafando a kombucha de segunda fermentação

    Para engarrafar você vai precisar de garrafas pet resistentes como aquelas de refrigerante, que costumam ter capacidade para 500ml. Se você usar a garrafa pet de água, saiba que tem chance boa dela estourar, pois não foram feitas pra aguentar a pressão de gás.

    Nós usamos aqui garrafas de vidro de 330ml, mas pra quem for kombucheiro de primeira viagem vale usar a garrafa pet, pois como ela forma bastante gás nesse segunda fermentação,  a garrafa pode vir a estourar. Cuidado!

    Engarrafando a kombucha utilizando equipo que temos em casa para produção de cerveja artesanal  😉

    Despeje o conteúdo dentro da garrafa e encha quase até a boca. A ideia é deixar um pequenino espaço com ar, também apenas para garantir que a garrafa não irá estourar, pois a kombucha não pode entrar em contato com o oxigênio para não oxidar e assim atrapalhar o processo de fermentação.

    Depois de 5 a 7 dias GUARDADA EM LOCAL ESCURO (lembre-se que as bichinhas não gostam de luz), seu refri natural estará pronto para ser consumido, pois as meninas bactérias e leveduras terão transformado o açúcar em gás carbônico, formando BORBULHÂNCIAS MIL dentro da garrafa! 

    Lembrando que em dias frios ela provavelmente vai demorar um pouco mais para formar o gás, podendo ficar até 20 dias guardada (vale fazer uso de seu feeling e experimentar antes desse prazo, se quiser).

    Leve à geladeira as garrafas que não consumir após do prazo citado para evitar que o processo de fermentação continue e seja feliz com seu elixir!

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