“O que o jejum não cura, nada cura” – provérbio Russo

Foi lendo o livro da jornalista e pesquisadora Sonia Hirch, “Meditando na Cozinha”, e pesquisando bastante sobre essa arte milenar que tive a ideia de buscar um novo desafio: me alimentar numa “janela” de apenas 08 horas por dia.

É isso mesmo: passo 16 horas em jejum pelo menos 5 vezes na semana e digo sem medo de errar que essa foi a melhor mudança de hábito que adotei na vida!

Não abracei essa meta, chamada de “jejum intermitente”, em busca do emagrecimento. Pretendia recuperar um contato mais consciente com a comida, pois em razão do tanto de receita que testo para o Cebola Na Manteiga, me peguei numa verdadeira compulsão alimentar.

Além de ter ganhado peso, esse consumo inconsciente não me deixava prestar atenção no que estava comendo. Simplesmente mastigava tudo rapidamente para cumprir o protocolo da alimentação e gastava muito dinheiro comendo tudo que via pela frente. Mastigava rápido e por vezes mal sentia o gosto da comida. Devorava o almoço já pensando na próxima refeição e em consequência parei de escutar meu corpo.

Só fui perceber essa compulsão numa viagem ao Chile, que fiz acompanhada de uma grande amiga que é totalmente adepta de uma alimentação balanceada e dos exercícios físicos. Ela notou que eu usava o método “coma de 3 em 3 horas” sem ao menos questionar o porquê de estar fazendo aquilo. Comia mesmo quando não estava com fome e ao invés de ficar satisfeita ingerindo vários lanchinhos num intervalo tão curto de tempo, sentia o que chamo de “falsa fome” a todo momento.

Aos poucos fui me dando conta que vivemos num mundo onde há comida fácil à disposição por qualquer trocado a cada esquina. No caminho para casa nos deparamos com o pastelzinho frito, a empadinha engordurada de massa podre, o suco “detox” na maior parte das vezes lotado de açúcar branco, o pão na chapa entupido de manteiga, os sanduíches processados e de quebra aquele docinho tipo festa de aniversário que vale justamente o troco.

É claro que antes de entrar nessa jornada consultei 3 nutricionistas e fiz uma bateria sem fim de exames, já que o jejum não é indicado, por exemplo, para pessoas com certa deficiência metabólica. Queria me certificar que poderia lançar mão dessa prática milenar.

Hoje, exatamente 6 meses depois, voltei a fazer os exames e confirmei o que já imaginava: minha saúde melhorou estratosfericamente!

Mas o café da manhã não é a refeição mais importante do dia?

Esse mito está presente nas nossas mesas, e por causa dele fechamos os olhos para a autofagia, que leva à cura celular.

Para quem nunca ouviu falar da autofagia, vale anotar o ensinamento de Yoshinori Ohsumi, ganhador do Prêmio Nobel da Medicina no último ano: “a autofagia é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas futuros”.

Ou seja, o jejum é uma forma de cura!

Depois de iniciar as práticas meu café da manhã se restringe a uma xícara de café com canela, que ativa o cérebro e aquece o estômago, ou de uma boa dose de chá de folhas.

Vale dizer que nos dias em que estou de TPM, dor de cabeça, resfriado ou que simplesmente sinto fome de verdade não me privo do café da manhã. Com o tempo a gente começa a entender a diferença entre a “falsa fome” e a fome de verdade.

Já nos dias que me sinto bem e de toda forma a fome bate com força, ainda assim evito comer. Nessas ocasiões adiciono ao café uma colher de sobremesa de óleo de coco que mantenho na gaveta do trabalho, pois a gordura ajuda a combater a sensação de fome.

Benefícios do jejum

A jornada do jejum intermitente aumentou minha capacidade de concentração. Em consequência, tenho mais facilidade para entrar em estado meditativo, o que diminuiu meus níveis de ansiedade.

De acordo com a bateria de exames, meu sangue está fluindo feliz pelas veias, pois o nível do chamado “mau colesterol” caiu drasticamente. De quebra o “bom colesterol” aumentou. O nível de glicose caiu, minha disposição para os exercícios físicos aumentou e me sinto muito bem com apenas 7 horas de sono. Antes eu precisava dormir pelo menos 8!

Além de tudo, aprendi o valor de cada alimento e como eles interagem entre si, sinto mais vontade de fazer exercícios físicos e mais disposta a estudar cada um dos ingredientes das receitinhas que posto para vocês. Meus gastos mensais com comida caíram cerca de 40%, pois passei a cozinhar mais em casa, já que consigo esperar para comer e não sinto qualquer tipo de tontura ou náusea, e, ainda que não buscasse o emagrecimento, perdi três quilos de forma saudável no período de 6 meses.

Em resumo, me sinto mais disposta e de bem com a vida.

E isso tudo não é um achismo! Segundo especialistas, o jejum rejuvenesce as células, irrigando o cérebro. O fígado relaxa e dá bom humor, a respiração é mais solta e profunda, e lá de dentro do “vazio” recomeça a brotar, crescer e expandir energias positivas como fonte de resistência, equilíbrio e vitalidade.

O pediatra Adam Hartman, do The Johns Hopkins Children’s Center (EUA), que estuda o benefício do jejum para crianças com epilepsia, afirma que há grande suspeita que jejuar afeta a maneira como os neurônios se comunicam. Ele acompanhou crianças de 2 a 7 anos que recebiam dieta rica em gordura e que passaram a fazer uso do jejum intermitente, e 4 das 6 apresentaram redução de 50% a 99% no número de crises de epilepsia depois da mudança.

Ok, entendi os benefícios e quero começar a prática. Mas como vou driblar a “falsa fome”?

Mastigue uma folha de hortelã quando sentir que a fome apertou, pois ela é muito aromática e estimula o cérebro, ajudando na altivez do espírito e do corpo.

Tome bastante água. Um estômago preenchido pelo líquido da vida desintoxica, ajuda na digestão e aumenta a sensação de bem-estar.

Adote os chás em seu dia-a-dia. As gôndolas dos supermercados estão cheias deles, mas se possível opte pelo chá de folhas, que é mais natural e bastante aromático.

Não gosta de chá? Experimente colocar uma rodelinha de limão ou gengibre na água.

Tenha em mente que a comida é componente essencial da boa saúde. Ela perpetua tradições, nos remete à infância e acalenta os coraçõezinhos. Como tudo na vida, há dias de permissões, fartura e bonança, como também há dias de suco detox, sopinha e chá verde.

Jejue pelo menos durante algumas horas entre uma refeição e outra, e aos poucos vá aumentando a “dose”.

Se permita dedicar, na próxima refeição, toda sua atenção às garfadas que levar à boca. Cheire sua comida, mastigue devagar, sinta a textura dela, e se possível sente à mesa com quem você ama. Não fale de dinheiro ou política enquanto come. Faça como os franceses, prefira opinar sobre vinho e temperos, ou simplesmente desfrute o momento em silêncio. É engrandecedor.

Quando você toma consciência do que está comendo, se atenta às funções dos alimentos e às vitaminas e ao que seu corpo de fato precisa, fica a um pulo pra fazer do que você come seu remédio e altar. Não é à toa que somos a única espécie que cozinha seu alimento.

Mas isso procede mesmo? Para confirmar, clique aqui: 😉

http://istoe.com.br/340578_OS+BENEFICIOS+DO+JEJUM/

https://emagrecendo.info/emagrecer-de-vez/jejum-intermitente/

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/11/28/jejum-ou-corte-radical-de-alimentos-pode-garantir-longevidade.htm

http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2014/06/30/noticias-saude,192157/pesquisas-dizem-que-jejum-fortalece-o-sistema-imunologico.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1300291-fazer-jejum-intermitente-e-seguro-e-mais-eficaz-que-dieta-tradicional-diz-medico.shtml

————

Esse post é uma matéria independente que contém um depoimento pessoal. Então antes de iniciar essa prática, consulte um médico!

NÃO PERCA NENHUMA NOVIDADE!
Receba em primeira mão o conteúdo do Cebola 🙂
Inscrever!