Para dar aquele pontapé inicial àqueles que estão dispostos a se auto empoderar através da alimentação, o Cebola está trazendo toda semana uma série de textos para encorajar os leitores a romperem com a indústria que vende facilidades perigosas, pois há uma real necessidade de mudarmos nossos hábitos alimentares para alcançarmos uma nutrição consciente.

Sempre há o que melhorar, e deixar de pensar a respeito do que comemos deveria ser um problema de saúde pública. Um problema que vai além do nosso tempo, que está comprometendo os solos, águas e a as gerações futuras.

O tema de hoje é a Segunda sem Carne e o empoderamento que advém daí. 

Se você está disposto a assumir as rédeas da sua alimentação, independente de estar ou não buscando o vegetarianismo, venha com a gente!

Nosso objetivo é mostrar que mesmo diminuindo a carne você ainda continua bem alimentado, e que um bom prato repleto das possibilidade que o mundo vegetal oferece pode sim ser uma delícia!

Lembrando que toda semana o Cebola publica receitas e textos para alavancar a busca por uma  alimentação mais ampla e menos industrializada.

Quem vem? Cozinhar muda o mundo!

Pense fora da caixa

O auto empoderamento através da alimentação começa quando nos questionamos:

O que realmente estamos comendo todos os dias?

Como a comida ingerida pode influenciar o corpo e bem-estar?

Será que aquela fome que a gente sente de 3 em 3 horas pode ser emocional?

Por que estamos condicionados a comer carne?

O que há debaixo das cortinas da indústria que incentiva o consumo excessivo da proteína animal e induz crianças e adultos através de propagandas massivas?

Por que a gente se alimenta todos os dias sem parar pra pensar nas consequências do que comemos?

De onde vem o mito de que cozinhar em casa é trabalhoso?

O que é o movimento da Segunda Sem Carne?

A Sociedade Vegetariana Brasileira criou esse movimento no país para “conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre os animais, a sociedade, a saúde humana e o planeta, convidando-as a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores”.

Existente em 35 países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido (onde é encabeçada pelo ex-Beatle Paul McCartney) e apoiada por inúmeros líderes internacionais, a campanha foi lançada em São Paulo em outubro de 2009.

Mas por qual razão deveríamos consumir menos carne?

A produção de carne está intimamente ligada à derrubada de matas nativas. Estudos da Forest Trends mostram que, somente no período de 2000 a 2012, a pecuária bovina no Brasil foi responsável pelo desmatamento ilegal de 90% de floresta para dar lugar ao gado e à soja, e que 17% dessa carne e 75% dos grãos foram destinados ao mercado externo. Mais especificamente, 75% do desmate na Amazônia e 56% no Cerrado estão associados à pecuária.  Além disso, a pecuária é ainda responsável pela emissão de pelo menos 50% dos gases-estufa, que absorvem uma parcela da radiação infravermelha, aumentando a temperatura do planeta e causando o chamado aquecimento global.  As queimadas realizadas periodicamente para renovar a vegetação das pastagens também emitem mais desses gases. 

Fora isso, há a questão do transporte da carne, do gado, de rações para os rebanhos, emissões dos solos de pastagens degradadas ou mal manejadas, emissões vindas da produção da ração, emissões do processamento industrial primário da carne que será consumida, contaminação da água e dos solos, e assim por diante.

A conta é simples: quanto maior for o consumo de carne, maior será o rebanho criado e as plantações de soja para alimentá-lo e, consequentemente, maior o prejuízo para o meio ambiente.

A Asbran, ONG que leva às mesas questionamentos valiosos a respeito da alimentação, faz um convite:

“Pense além das agendas e programas tradicionais. Pense na alimentação longe das notícias que cumprem apenas o calendário. Pense olhando para você, olhando para sua família, para seus amigos. Pense além da fronteira do tempo presente e dos modismos. Pense na sustentabilidade de toda a cadeia que move o que é servido no seu prato. Pense na qualidade do que está oferecendo aos seus filhos ou aos seus pais, no apelo publicitário de imagens midiáticas que promovem produtos para saciar desejos e não fomes”.

Vegetal é amor

Antes de mais nada, é preciso aceitar que nos vegetais é possível encontrar todas as energias que precisamos para nutrir o corpo.

Além dos sais minerais e das energias solares fixadas pela fotossíntese nos carboidratos, existem as vitaminas (aminas da vida) que a ciência já conseguiu descobrir e classificar em grande número. Todas essas formas de energia fluem através dos corpos vivos, alimentando suas atividades individuais.

Quando você se livra do mito de que somente na carne é possível encontrar as proteínas necessárias, é sinal que sua mente já começou a ser reprogramada.

Um passo de cada vez

Edgard Armond, em seu livro“Passes e Radiações”, relaciona o consumo de carne com a espiritualidade. Independente de sua crença, vale tomar nota da opinião dele:

“Para nutrir o corpo é necessário adotar uma alimentação racional e sóbria, contendo os princípios alimentares básicos que são: proteínas (alimentos que mantêm os músculos); carboidratos e gorduras (alimentos que fornecem energia e calor), sais minerais e vitaminas.

Todos estes elementos são encontrados nos alimentos comuns, sendo, todavia, necessário saber combiná-los e utilizá-los sem faltas ou excessos.

Para isso convém consultar instruções apropriadas, quase sempre encontradas em livros e publicações que tratam do assunto.

Lentamente, e tanto quanto possível (segundo os recursos, profissão e temperamento de cada um) diminuir a carne como alimento base. Os princípios alimentares que ela contém, sobretudo proteínas, são encontrados com facilidade em outros alimentos de uso comum, como, por exemplo: queijo, feijão, soja, leite, etc.

(…)

Neste assunto, que é de controvérsia, cada um deve seguir seus próprios impulsos e inspirações que corresponderão, justamente, ao grau de compreensão que lhes forem próprios”.

Em resumo, diminuir o consumo de carne não se trata de modismo, doutrinação, pregação. Cuida-se apenas de entender nosso corpo e questionar todos os mitos que nos cercam para deixar as energias fluírem.

Juntos somos muitos, e minimizar o impacto que deixamos sobre o meio ambiente é um caminho feliz e necessário.

Desperte em você o prazer em fazer feiras

Pequeninas ações são capazes de otimizar as compras, transformando o consumo desmedido em consciente e tornando o “fazer feira” um passeio onde todo mundo sai ganhando.

Esse pequeno gesto fomenta o comércio localaguça a criatividade na cozinha, já que entramos em contato com pessoas dispostas a cozinhar, que entendem e sabem como escolher cada ingrediente.

E lembre-se: plantas são bonitas, baratas e gostosas! 

Quer saber mais sobre o assunto?

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