Cozinhar é participar do mundo

É sexta-feira da paixão e aproveito o feriado para colocar o pé na estrada rumo ao interior de Minas Gerais. Me pego pensando na importância do retorno à natureza. Estar rodeada de verdes pelo caminho se mostra uma forma de autocuidado: o ar puro faz os batimentos cardíacos se amansarem, os quintais com árvores frutíferas exalando cheiros remetem à infância, cores e gostos para reavivar os dias.

Mais tarde, ainda come esse pensamento na cabeça, me deparo com inúmeros ramos de manjericão nas mãos das pessoas que se colocam na procissão que percorre ruelas de uma igreja à outra em homenagem a Cristo, da morte à ressurreição.

Uma senhorinha explicou que o manjericão, erva mágica, é usada em sinal de respeito à espiritualidade que habita o peito, prelúdio de bons agouros do renascimento que se avizinha. Pesquisando para entender essa lógica ancestral, descubro que em torno do túmulo de Jesus nasceram mudas de manjericão, daí o costume de carregá-las procissão afora como forma de respeito e lembrança. As mudas como fotografias do passo.

Junto com e explicação dessa mulher que tem os olhos cansados e a aura branda, ganho um ramo amassado com a recomendação de fazer chá para evitar resfriados.

Quando se cuida do peito, cuida em consequência da alma toda.

O corpo ressuscita.

Ainda segundo ela, basta um bocado de folhas escaldada em água fervente para deleitar-se com um chá fresco para literalmente acalentar o coração com suas propriedades curativas.

Da muda brota o cheiro fresco e me ponho a imaginar as possibilidades daquelas folhas para além do chá: participação especial nos refogados, molho pesto (meu preferido de todos os tempos), risotos, sucos, sorvetes, tortas, bolos, cremes, assados. Como é bonita a natureza!

Descascar folha por folha é uma dedicação genuína, que requer cautela e apreciação. Cozinhar é direito de todos, mas antes de colocar a barriga no fogão, há que se permitir descobrir os prazeres e valores de se cozinhar em casa entendendo a tarefa como uma forma de meditação.

Nisso concluo que participar da natureza e buscar respostas através da cozinha fomenta o sentimento de integração com o mundo.

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Ficou inspirado lendo esse texto sobre essa erva mágica?

Veja aqui como cultivar manjericão em casa. 

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Carolina Dini

Alou, sou a Carol! Descobri um mundo novo depois que comecei a brincar com as panelas e dessa experiência veio um desejo imenso de partilhar o que aprendi através do Cebola. Quem vem comigo? =)Twitter e Instagram: @carolinandini
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